Revista Omnia Lumina, Vol. 1, No 2 (2010)

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POR UMA ÓTICA SINTÉTICA DO REAL

Maria Carolina Alves dos Santos

Resumo


Intelectuais europeus e americanos especulam sobre o declínio da cultura européia (da qual a americana é extensão), cuja razão sempre visou utopias, a idealidade do Bem, da Beleza ou da Verdade. Menor seria hoje sua força crítica e idealizadora? Ao termo de extensa trajetória do pensar filosófico, obliterado o fundamento arcaico (religião, autoridade, tradição) da civilização do Ocidente, fragilizada a fonte vitalizante da constelação de potências constitutivas de nossa linhagem histórica, buscam-se pontos de tangência com a plasticidade das originárias proposições, ora sob a forma de resquício. Enraizadas em nossa civilização, seus microscópicos relevos seriam resgatados pelo exercício da ótica contemplativa, modo de ver (óphis) semelhante ao de binocular instrumento, não com poder de aumento e sim com profundidade de foco. Olhar de elevado alcance (skópos), com capacidade de recepção da verdade, apreende liames, opera convergência de tempos passados, presentifica a história do filosofar no mundo grego: intensifica-se a experiência da emersão do saber de nossa identidade. Uma reflexão que torne soberanamente atento este olhar (orâo), não ilumina o que ora está dissimulado sob a neutra face do longínquo, transmutando-se na instância discursiva em temática de um Livro? E sobre o que versaria ele? Não seria este o Livro em que o pensador – mediante as tais lentes de foco profundo – ao entrever as raízes da própria história pudesse, no dizer de Proust em O Tempo Reencontrado, ser leitor de si mesmo? Entranhada no ser do humano, a persistente prática dessa ótica sintética expressaria o destino mesmo do filosofar, a parte (moira) que lhe compete desde os primórdios. Interminável desafio o de recuperar, na trama da temporalidade, as memórias do percurso, peças de mosaico a preencher lacunas no mundo interior, acerca do princípio primeiro que, circularmente, perfaz a totalidade do real.

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